QUEIMA DE ARQUIVO – Quem mandou matar Kleber Malaquias?

Conhecido pelas denúncias contra prefeitos e integrantes do Judiciário alagoano, o empresário Kleber Malaquias foi executado com três tiros na quarta-feira, 15, em um bar na Mata do Rolo, em Rio Largo. A Polícia Civil designou o delegado Lucimério Campos, titular da Delegacia de Homicídios (DH), do município riolarguense, para investigar o assassinato.

Segundo boletim de ocorrência, pelo menos duas pessoas podem estar envolvidas no crime. Malaquias estava no Bar da Buchada comemorando o aniversário de 41 anos. Tempo depois de chegar no local foi encontrado sem vida, com camiseta rasgada – que pode indicar luta corporal-, e alvejado na cabeça e no peito.

Testemunhas informaram às autoridades que o assassino estava sentado à mesa com outras pessoas, no mesmo bar, e aproveitou o momento em que o empresário se dirigiu ao banheiro para cometer o assassinato. Após os disparos, o homem deixou o estabelecimento em um veículo Gol, de cor preta.

Caso seja crime de mando, a Polícia Civil terá a complicada missão de investigar os denunciados por Kleber Malaquias. Na lista estão o prefeito do município Gilberto Gonçalves, o desembargador e ex-presidente do Tribunal de Justiça Washington Luiz de Freitas e os ex-prefeitos de Marechal Cristiano Matheus e de Rio Largo Toninho Lins. Um dos alvos das críticas do empresário também foi o deputado e presidente da Assembleia Legislativa Marcelo Victor.

 Malaquias compartilhou um vídeo pelas redes sociais com palavras de baixo calão contra Victor. Entre ofensas e críticas, o empresário disse que: “Você [deputado] só é bravo porque anda com meia dúzia de seguranças”.

VIOLÊNCIA

Empresário disse que foi ameaçado por prefeito e deputado

Em setembro do ano passado, Malaquias registrou um boletim de ocorrência relatando que foi agredido e ameaçado de morte. Segundo Malaquias, as ameaças foram uma forma de intimação, uma vez que ele estava fiscalizado a gestão do prefeito Gilberto Gonçalves. O autor das agressões seria Léo, aliado do atual gestor. Léo teria apontado uma arma para Malaquias e atirado próximo ao seu ouvido. Também teria sido obrigado a dizer, sob mira de arma, que Gonçalves e sua esposa, Cristina Gonçalves, vice-prefeita da cidade, eram pessoas de bem.

Malaquias ganhou destaque nacional ao aparecer no Fantástico, programa dominical da Rede Globo, denunciando o pai da secretária de estado de Cultura Mellina Freitas, o desembargador Washington Luiz de Freitas. Na reportagem, o empresário diz que ouviu o magistrado arquitetando sua colaboração na Máfia das Merendas. A denúncia fez com que o desembargador fosse afastado, pelo Conselho Nacional de Justiça, do cargo por dois anos.

Em 2018, Malaquias divulgou um vídeo onde acusava o deputado estadual Inácio Loiola de ameaçar seus parentes para saber de seu paradeiro.  Malaquias foi testemunha-chave do crime que vitimou o advogado mineiro Nudson Harley Mares de Freitas, 46 anos, assassinado por engano no lugar do juiz Marcelo Tadeu Lemos de Oliveira, cujo desembargador Washington Luiz é investigado de ser autor intelectual do crime ocorrido em julho de 2009, nas proximidades de uma farmácia localizada na Avenida João Davino, parte baixa de Maceió.

Malaquias, junto à jornalista Maria Aparecida de Oliveira, se tornou testemunhas de acusação contra o ex-prefeito Cristiano Matheus, de Marechal Deodoro, e o juiz Léo Dennisson. Por vários anos titular da única Vara da Comarca do município, o magistrado acabaria afastado por determinação do CNJ, alvo de uma investigação para apurar as suspeitas de venda de sentenças num esquema que beneficiaria o então prefeito e do qual receberia mensalmente a quantia de R$ 50 mil, o que lhe valeu o apelido de “Léo Cinquentinha”.

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