LEI DA OFERTA E DA PROCURA? Mesmo tendo estoque, preço do álcool em gel sobe 152%

Preço do produto era entre 9,90 e R$ 11,90; hoje, chega a atingir R$ 30 em AL

Imagem da internet

O álcool em gel virou carro-chefe nas farmácias, devido à pandemia do novo coronavírus. De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Produtos Farmacêuticos do Estado de Alagoas (Sincofarma-AL), José Antonio Vieira, a alta no preço do álcool em gel chegou a 152% em média. Ele conta que antes da pandemia o frasco de 500ml do produto era comercializado ao consumidor final por preços que variavam entre R$ 9,90 e R$ 11,90. Agora, já registrou preços entre R$ 25 e R$ 30.

No entanto, de acordo com Vieira, os estoques de álcool em gel já estão se normalizando em Alagoas. “Os preços médios [dos frascos de 500ml] nos distribuidores chegaram a ficar entre R$ 16 e R$ 18, mas foi por uma semana, depois foi falta geral, e agora que já está se normalizando, mas os preços no distribuidor são entre R$ 15 e R$ 18”, conta.

A normalização dos estoques sem que haja também normalização dos preços está sob a mira do Procon-AL (Programa de Proteção e Defesa do Consumidor), que visa coibir os preços abusivos. “Alguns estabelecimentos estão se aproveitando desse momento delicado e superfaturando esses produtos, elevando seus preços acima do valor de mercado. Sendo assim, nossos fiscais estão atuando para evitar que o consumidor não seja prejudicado”, afirmou o coordenador de fiscalização do Procon, João Lessa.

Ele destaca que o aumento elevado de preços dos produtos é uma prática irregular e abusiva e que, apesar da pandemia do coronavírus, o que alguns comerciantes estão fazendo não é justificável.

O presidente do Sincofarma argumenta que houve aumento para todos. “O aumento foi significativo. Desde o produtor, distribuidor até chegar ao consumidor final”. José Antônio Vieira conta que os donos de farmácias estão comprando o produto mais caro do que o que vendiam ao consumidor final.

Vieira explica que o estoque de álcool em gel começa a ser normalizado porque há produção local do produto. Segundo a Federação das Indústrias do Estado de Alagoas (FIEA), quatro indústrias produzem o produto no estado. O presidente do Sincofarma conta que os estoques de álcool em gel dos estabelecimentos tem durado de 5 a 10 dias. Isso se dá porque, segundo ele, a compra está limitada. “Álcool em gel e máscaras descartáveis eram itens que não representavam volume de vendas, era apenas para compor o mix da farmácia. Diante da Covid-19 explodiu em nível geral, um consumo que o mercado, digo os fabricantes, não estavam preparados. Isso em relação a matéria-prima para fabricação das mesmas, daí a causa do desabastecimento neste momento”, explica.

Segundo Vieira, diferente da situação do álcool em gel, os estoques de máscaras cirúrgicas descartáveis estão zerados no estabelecimentos de Alagoas. Um dos motivos do desabastecimento é que não há produção local do produto, que segundo ele vem de São Paulo, Paraná , Santa Catarina e até da China, país onde surgiu a Covid-19.

“A procura de máscara ainda está acelerada. Já percebemos pessoas improvisando máscaras caseiras para se protegerem”.

As máscaras cirúrgicas descartáveis estão entre os produtos alvo de requisição administrativa que o governo de Alagoas fez em cinco empresas de revenda de produtos hospitalares de Maceió. A requisição é um ato administrativo unilateral e auto-executório que consiste na utilização de bens ou de serviços particulares pela Administração, para atender necessidades coletivas em tempo de guerra ou em caso de perigo público iminente, mediante pagamento de indenização a posteriori. Ao todo o Estado gastou R$ 700 mil na requisição dos estoque dos distribuidores em Maceió.

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