ATENÇÃO! Pesquisadora alerta para falsa de sensação de segurança e pessoas assintomáticas

Letícia Anderson atribui às notícias falsas e aos números ainda sob controle em Alagoas a falta de rigor de parte da população na prevenção da doença

Pesquisadora Letícia Anderson

Com 18 casos confirmados e 352 suspeitos até esta quinta-feira (02), as medidas governamentais que decretaram isolamento social e o fechamento temporário de serviços não essenciais seguem sendo cumpridas pela maior parte da população alagoana, mas especialistas e autoridades da área de saúde mantêm o alerta: não devemos baixar a guarda.

“Há uma falsa sensação de segurança pelos números reportados”, considera Letícia Anderson, pós-doutora em bioquímica pela Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). “O cenário que estamos observando é que, na verdade, há muitas pessoas que estão assintomáticas, circulando na população, transmitindo o vírus. Isso é fato”, aponta.

É a voz da ciência. O remédio mais eficaz em tempos de fake news. “Nós pesquisadores também devemos atuar para a sociedade ao levar informação de qualidade. Informação checada e transmitida da forma mais clara e transparente possível”, reconhece a especialista em biologia molecular. “A internet ajuda, mas essa onda de fake news atrapalha muito nesse momento ao propagar desinformação”, lamenta.

Letícia é uma das integrantes do grupo de pesquisadores do ICBS que uniram forças para contribuir voluntariamente no combate à transmissão do covid-19 em Alagoas. Além dela, a lista de profissionais inclui nomes como o prof. Dr. Ênio Bassi (doutor em imunologia pela USP), o prof. Dr. Lucas Anhezeni (doutor em biologia celular e molecular pela USP) e o prof. Dr. Marcelo Duzzioni (doutor em farmacologia pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC), entre outros especialistas da Ufal e do Cesmac.

Apoio ao Lacen e portal de informações

Assim que o Governo do Estado ligou o alerta vermelho para a quarentena, Letícia Anderson entrou em contato com o Laboratório Central de Alagoas (Lacen/AL), que passou a ser o local habilitado para a realização dos testes de detecção do novo coronavírus.

A pesquisadora se apresentou para contribuir com uma demanda essencial: a técnica para realização de exames conhecida como RT-PCR. “Eu domino o procedimento”, garante. “Como tenho contato com algumas pessoas que atuam no Lacen, eu me voluntariei para operar os testes por lá”.

A combinação de alta demanda com a necessidade de mão de obra qualificada sensibilizou pesquisadores, que começaram a atuar voluntariamente no Lacen a partir desta quinta-feira.

“A parceria com o Lacen visa ampliar a capacidade de diagnóstico por meio da capacitação de voluntários, cessão temporária de equipamentos e o desenvolvimento de kits de diagnóstico”, explica o prof. Dr. Marcelo Duzzioni, integrante do grupo.“O Lacen tem trabalhado em dois turnos, vamos começar a atuar num terceiro turno e no fim de semana justamente para aumentar o número de resultados”, complementa Letícia.

Além de estudar a possibilidade de testar outros tipos de kits para realização dos exames, os pesquisadores avaliam a chance de utilizar um laboratório da Ufal comandado pelo professor Duzzioni. “Estamos conversando com o Lacen e aguardamos uma reunião com o secretário de Saúde de Alagoas para discutir justamente isso”, informa o professor.

Com o laboratório, estima-se um incremento entre 100 e 150 testes realizados por dia. Caso o Lacen concretize perspectiva de obter um segundo equipamento, Alagoas poderá emitir resultados de até 300 amostras diariamente.

Outra ação do grupo consiste na criação de um portal de informações sobre o novo coronavírus. “Em breve colocaremos à disposição da comunidade. O portal terá informações sobre o vírus, tratamento, métodos de diagnóstico, comorbidades, entre outros assuntos”, anuncia o especialista.

Comitê Científico

A ação voluntária da equipe amplia a presença da ciência junto a outras duas frentes já criadas para assessorar os gestores públicos nas tomadas de decisão para o combate ao novo coronavírus: o Grupo Técnico de Enfrentamento ao Covid-19 em Alagoas e o Comitê Científico do Consórcio Nordeste.

“Avalio como imprescindível o auxílio que o recém-criado Comitê Científico poderá dar aos governadores da região Nordeste. As propostas formuladas por esse Comitê poderão nortear as ações dos governantes regionais. Espero que tal colaboração resulte na redução dos prejuízos econômicos, mas principalmente em salvar vidas”, pondera Marcelo Duzzioni.

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