LUCRANDO COM A DOR – Valor da Braskem cresce no mercado

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A partir do mês de abril, a unidade de cloro soda da Braskem, voltará com suas atividades, mesmo que de forma escalonada. O que é muito bom para os empregados, setor produtivo e o município.

A reforma no pátio tem como objetivo abrigar o sal importado que virá, inicialmente, do Rio Grande do Norte. Que já está sendo finalizada.

A empresa continua com os estudos de sísmica, na Lagoa Mundaú, para desvendar os fenômenos geológicos nos bairros do Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto. Estudos, estes autorizados pelo IMA, que estão sendo feitos por uma empresa especializada na área de estudos ambientais e geológicos, que prometem não causar impacto na prática da pesca. Mas só prometem mesmo?

Mesmo com o monitoramento contínuo no local nada garante que não ocorra nenhuma alteração do que está previsto.

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Braskem faz acordo bilionário para realocar 17 mil moradores

No início do ano a empresa anunciou que acertou com autoridades federais e estaduais de Alagoas um acordo para reparação de prejuízos a milhares de vítimas de fenômeno de afundamento e rachaduras de solo no bairro do pinheiro em Maceió. O que animou os investidores fazendo suas ações subir 7,76%. Ou seja, mesmo sendo a principal responsável por um desastre natural, a Braskem consegue aumentar o seu valor de mercado.

Um acordo que envolve o Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público de Alagoas (MPE Alagoas) e a Defensoria Pública da União (DPU) e de Alagoas (DPE Alagoas), prevê criação de programa de apoio à desocupação de áreas em quatro bairros da capital alagoana que envolverá cerca de 17 mil moradores.

É curioso pensar que famílias surgiram, cresceram e que contam a história desses bairros, “por motivos de segurança”, não poderão voltar. Terão que recomeçar em outro lugar. É claro que a segurança e o bem estar da população, é prioridade para uma empresa com o perfil de responsabilidade social do porte da Braskem, entretanto, dinheiro não resolve todos os problemas do mundo. Ou resolve?

Uma empresa multibilionária que muda a geografia de uma cidade, causando transtornos e acidentes, mudando vidas, mexendo no bolso de 17 mil moradores, valoriza o seu valor de mercado em mais de 7%. É, acho que sabemos bem quem saiu no lucro aqui. Sete parece ser um numero pequeno, mas vendo por um outro ângulo, 1% de 1 bilhão são 10 milhões.

Agora 7% não parece ser tão pequeno assim.

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“Dinheiro, dinheiro e dinheiro”

O grupo Coalizão, Formado por várias entidades, acompanha de perto o desenrolar do Caso Pinheiro, teme que a quadra chuvosa, interfira negativamente na remoção das famílias que ainda estão nas áreas já identificadas como de risco, nos bairros do Mutange e Bebedouro.

Porém, outro tema debatido na reunião foi a retomada das operações da unidade de Cloro Soda, no bairro do Pontal. Esta unidade é a central de matérias primas da Braskem/Alagoas e sua paralisação está trazendo dificuldades para a Cadeia Produtiva da Química e do Plástico, e para a arrecadação de impostos no Estado.

 O que entendemos com isso? Que, na verdade, ninguém está preocupado com pesquisa sísmica, com o resgate do bairro do pinheiro ou com a mobilização de 17 mil moradores e suas respectivas indenizações. Não, pelo contrário, estão demonstrando mais preocupação em fazer a engrenagem girar e retomarem a arrecadação dos lucros. “Dinheiro, dinheiro e dinheiro”.

Deve ter apertado o bolso no final do mês passado e não conseguiram pagar as contas. O que é estranho, pois o valor de mercado da Braskem subiu. O dinheiro entrou, mas foi pra onde?

Até o mais inocente consegue enxergar que o dinheiro tem seu lugar acima do povo.

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